terça-feira, 15 de setembro de 2009

PERDIDO

PERDIDO
Anoitecia, e as nuvens tomavam todo espaço celeste. Elas eram negras e espessas, dessa forma fazia parecer que estávamos com a hora bem mais adiantada.
Começou a chover... e estranhamente fico “feliz”. Felicidade essa causada por eu poder fingir, fingir que toda essa água que cobre meus olhos e escorre minha face é o acúmulo das gotas da chuva e não lágrimas. Porque fingir que não choro? Não quero encontrar alguém que venha a questionar minhas dores (ou fraquezas).
A chuva aumentou e junto aumentou a minha dor. Ainda me lembro do seu último sorriso, este dirigido a mim junto com um “-Até logo e eu te amo!!”. Eu poderia ter gravado, se eu soubesse que nunca mais escutaria sua voz. Se eu soubesse que um louco atravessaria a sua vida e a arrancasse de mim de forma tão bruta, se eu soubesse... se eu soubesse ...
Se eu soubesse teria lhe falado tudo, o quanto eu a amava, como era importante para minha existência, de quanto me fazia bem ouvir sua voz pela manhã, de como era lindo seu sorriso, do quanto me tranqüilizava seus olhos...
Ela se foi... e junto foi minha alma. Minha única companhia agora é a solidão. Comigo ela não conversa, não sussurra, somente me escuta. Escuta meus devaneios, meus grilos, meu choro, meu desespero, meus soluços...
Estou só com a solidão, andando sem destino, sem objetivo, sem direção... Eu em minha própria companhia, sob a chuva fria, sob a lágrima salgada... Com o coração partido, com a alma dilacerada, esperando a visita da morte. Porque só a morte me devolverá a vida.

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